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AVALIAÇÃO PRÉ-OPERATÓRIA PARA CR, POR RICCARDO VINCIGUERRA

A possibilidade de avaliar a córnea no pré e pós-operatório tem sido disponibilizada aos cirurgiões refrativos e corneanos há muitos anos. Os primeiros topógrafos com disco de Plácido contaram com a avaliação da superfície frontal da córnea. Com a apresentação dos tomógrafos da córnea, a comunidade científica ganhou a possibilidade de avaliar a espessura da córnea e a superfície posterior da córnea. Posteriormente, os aberrômetros de frente de ondas trouxeram à tona as aberrações corneanas e seus impactos sobre a visão.

A introdução do “Ocular Response Analyzer” (ORA; Reichert Technologies) nos permitiu medir a biomecânica da córnea através de um parâmetro chamado histerese corneal. Originalmente pretendido como um método para avaliar a progressão do glaucoma, o ORA ganhou uma grande relevância no uso da avaliação da biomecânica da córnea. Essas novidades foram seguidas pelos sistemas de câmeras Scheimpflug de alta velocidade do Corvis ST (Oculus, Germany), que são capazes de avaliar a forma da córnea através de todo o processo de deformação. No entanto, muitos clínicos ainda consideram essas ferramentas “apenas para uso em pesquisa”. Este artigo tem por objetivo sugerir que devemos integrar estes dispositivos no cuidado rotineiro de nossos pacientes refrativos.

As ferramentas principais usadas na avaliação da córnea para a triagem refrativa são os sistemas de tomografia de Scheimpflug ou OCT (que às vezes são combinados com um topógrafo de Plácido). Quando selecionamos os candidatos à cirurgia refrativa, o que pretendemos excluir são patologias sutis, como o ceratocone precoce, que podem causar terríveis complicações após a Correção da Visão a Laser (LVC), como a ectasia iatrogênica. Esses dois dispositivos modernos são capazes de identificar mudanças precoces da curvatura posterior e, no caso de dispositivos baseados em OCT, também mudanças em mapas epiteliais que são conhecidos por acontecerem mais cedo do que mudanças na curvatura anterior.
Entretanto, no ceratocone (KC), o módulo elástico corneal é reduzido devido à patologia do estroma. Na verdade, os primeiros relatórios informaram que as córneas com ceratocone têm um módulo elástico significativamente menor do que as normais.
Foi proposta uma nova teoria para a descompensação da biomecânica que levaria à progressão no ceratocone, que foi baseada nos modelos biomecânicos existentes e dados clínicos topográficos e tomográficos. É proposto que o evento inicial no ceratocone é uma redução focal nas propriedades biomecânicas, acompanhada de um afinamento da córnea. Uma vez que a tensão (estresse) é definida como força aplicada dividida por área transversal, a tensão aumenta focalmente na zona de afinamento da córnea. Com o aumento da tensão na zona afinada, uma tensão ou deformação adicional seria induzida, o que afina ainda mais a córnea e aumenta ainda mais a tensão. A redução focal do módulo elástico gera maior deformação para a mesma carga. Subsequentemente, o tecido da córnea se torna mais protruso, com aumento da curvatura corneana, o que faz com que a ten- são seja redistribuida novamente, conforme tal ciclo continua.

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Autor

RICCARDO VINCIGUERRA
Oftalmologista responsável científico no Hospital Humanitas San Pio X, Milão. Colaborador de pesquisa no Grupo de Engenharia Biomecânica, Universidade de Liverpool, Reino Unido. Departamento de Cirurgia, Faculdade de Medicina, Universidade de Oviedo, Astúrias, Espanha. Escola de Engenharia, Universidade de Liverpool, Liverpool, Reino Unido. Pesquisador internacional com várias publicações revisadas por pares, principalmente no campo da biomecânica da córnea, cirurgia refrativa, crosslinking do colágeno corneano e transplantes de córnea.


Editor da seção

EMILIO A. TORRES- NETTO
Doutor em Oftalmologia e Ciências Visuais pela EPM-Unifesp e doutorando pela Université de Genève (Suíça). Especialista em Córnea, Catarata e Cirurgia Refrativa. Formação pela Stanford University School of Medicine (EUA), Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Escola Paulista de Medicina, Unifesp, Fondation Ophtalmologique Adolphe de Rothschild (França), ELZA Institute (Suíça), UniversitätsSpital Zürich e Universität Zürich (Suíça).

 

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