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Análise da tomografia de córnea, por Maria Flavia Ribeiro

Mapa de curvatura axial do Pentacam com escala Holladay e 15 cores

A tecnologia de Scheimpflug permite a reconstrução do segmento anterior e traz informações que vão muito além da já conhecida superfície anterior da córnea. Essa tecnologia se torna cada vez mais importante para a programação em cirurgia refrativa e catarata. Os mapas e displays gerados pelos tomógrafos permitem o entendimento de dados quantitativos e qualitativos da superfície anterior e posterior da córnea, do mapa paquimétrico, dos mapas de elevação e de dados aberrométricos da córnea total. Para deixar os tomógrafos de córnea ainda mais atraentes, existe uma tendência no mercado em se agregar tecnologia, e versões mais modernas dos aparelhos vêm com a possibilidade de medidas de comprimento axial e aberrometria total do olho integradas.
Sabe-se hoje que, tanto para screening em cirurgia refrativa, abordagem do ceratocone e planejamento em cirugia de catarata, a in- formação trazida por essa tecnologia permite, muitas vezes, o diferencial, e a atingir a expectativa cada vez mais elevada para independência dos óculos para nossos pacientes.

SCREENING EM CIRURGIA REFRATIVA

A determinação correta e acurada dos fatores de risco é peça-chave para evitar a tão temida ectasia corneana após cirurgia ceratorrefrativa. Dentre esses fatores de risco, talvez o mais importante seja a identificação no mapa axial, alterações tomográficas suspeitas, em que a alteração biomecânica induzida pelo consumo de tecido na cirurgia refrativa pode levar ao desenvolvimento de ectasia.

A correta identificação desses pacientes infelizmente continua sendo um desafio.
Mesmo contando com diversos displays e índices disponíveis nos diferentes tomógrafos, ainda não dispomos de índice com 100% de especificidade ou sensibilidade. Ainda assim, a análise cautelosa dos mapas permite a identificação com relativa segurança de pacientes suspeitos ou que eventualmente precisem de estudos adicionais para confirmar a susceptibilidade à ectasia corneana.

Um dos primeiros pontos ao se iniciar a aná- lise dos mapas é a atenção à escala de cores utilizada. No mapa de curvatura axial anterior em screening para cirurgia refrativa, su-gere-se steps de cores nas escalas de 0.5 D, permitindo com relativa sensibilidade a ob- servação de assimetrias nos diversos mapas. No caso específico do Pentacam, a escolha do mapa de 15 cores (evitando 61 cores em que o tom de verde acaba sendo muito prevalente, dificultando a visualização de pontos fora da curva) associado à escala relativa de Holladay faz com que a combinação de cores facilite também a busca ativa por casos suspeitos (Figura 1A).

Autora

MARIA FLÁVIA DE LIMA RIBEIRO

Médica Oftalmologista. Fellow cirúrgico em córnea e doenças externas na Escola Paulista de Medicina, Unifesp. Fellow em catarata e cirurgia refrativa pela Escola Paulista de Medicina, Unifesp. Palestrante em cursos e plataformas de educação médica voltados para oftalmologistas, especialmente sobre análise de tomografia corneana.

 

Editora da seção

RACHEL GOMES

Oftalmologista especialista em cirurgia de catarata e óptica cirúrgica. Doutorado em Oftalmologia pela Unifesp. Pós-doutorado pela TUFTS New England Eye Center, Boston. Diretora de Catarata da ABCCR/BRASCRS e editora associada da revista Oftalmologia em Foco.