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OPD na prática do cirurgião de catarata

O OPD-Scan III, fabricado pela empresa Nidek Co. (Gamagori, Japão), é um equipamento que une um topógrafo de anéis de Plácido com um aberrômetro de esquiascopia dinâmica. Sendo assim, consegue gerar dados tanto da superfície anterior da córnea como da aberrometria total do olho estudado.

Muito interessante é notar que, a partir da aberração derivada da topografia, o aparelho consegue criar um mapa de aberração interna (aberrações totais oculares – aberrações da córnea). Aqui deixo minha primeira dica: quando o aparelho diz aberrações internas, entenda tudo que acontece no olho do paciente a partir da superfície anterior da córnea até a retina. Portanto, na maioria dos casos, tal mapa expressa bem as alterações ópticas geradas pelo cristalino (Figura 1). Porém, em alguns, ele está apenas demonstrando aberrações com origem na superfície posterior da córnea (Figura 2), especialmente em córneas muito irregulares.

Figura 1 – Aberrações internas causadas por catarata nuclear central. Observe a zona central mais convergente que a periférica no mapa do OPD à esquerda

Para o cirurgião de catarata, o OPD-Scan III atua como um ótimo aliado na tomada de decisão pré-operatória e na escolha da lente intraocular (LIO) ideal para o caso, trazendo uma série de informações relevantes em apenas um exame. O maior problema, principalmente para médicos que estão pouco familiarizados com o aparelho, é que a grande quantidade de informações muitas vezes os confunde, gerando dificuldades de interpretação do exame. Sendo assim, há alguns anos, desenvolvi uma análise sistemática do exame, com parâmetros e ordem fixos, criando um fluxograma de análise que tende a facilitar a vida de todos nós.

Tal fluxograma consiste na análise dos seguintes dados:

  1. Anéis de Plácido;
  2. Tamanho da pupila;
  3. Ângulo Kappa ou Chord Mu;
  4. Astigmatismo;
  5. Aberração esférica;
  6. Coma.

Para tal análise, precisaremos de no mínimo dois mapas nativos do aparelho: Sumário de Catarata e Sumário de Pupila. Mas, como sempre, minha recomendação é criar um mapa com todos os dados necessários em uma folha só (Figura 3). Iremos discutir cada ponto do fluxograma a seguir.

  1. ANÉIS DE PLÁCIDO (SUMÁRIO DE PUPILA)

O primeiro passo a ser realizado sempre que se analisa uma topografia de anéis de plácido é checar a foto dos próprios anéis para se ter certeza de que o exame foi realizado com a qualidade adequada. O reflexo dos anéis é muito sensível a alterações da superfície ocular, ou até mesmo a erros na confecção do exame (paciente não foi orientado a piscar de maneira adequada, por exemplo).

Anéis mal delimitados ou com quebras visíveis não gerarão mapas de qualidade e, portanto, o exame precisa ser refeito. Caso as alterações se mantenham, é provável que o paciente seja portador de doenças de superfície que mereçam ser tratadas antes da facoemulsificação. Vale lembrar que pacientes com olho seco apresentam contraindicação relativa para o implante de lentes intraoculares difrativas e a imagem dos anéis pode ser a primeira pista diagnóstica nesses casos.

O artigo completo está na edição 183, confira!

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