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Do risco genético à prática clínica: o potencial dos Polygenic Risk scores no manejo individualizado do glaucoma

O glaucoma é definido atualmente como uma neuropatia óptica crônica e progressiva, caracterizada por perda estrutural das células ganglionares da retina e de seus axônios, associada a alterações funcionais correspondentes no campo visual, com potencial de levar à deficiência visual irreversível e à cegueira.¹ Nas últimas três décadas, avanços significativos ocorreram tanto nas ferramentas diagnósticas — com a incorporação de métodos de imagem estrutural de alta resolução — quanto nas opções terapêuticas clínicas e cirúrgicas.²˒³ Apesar disso, o impacto global do glaucoma em termos de incapacidade visual e cegueira permanece relativamente estável ao longo do tempo, inclusive em países desenvolvidos.⁴ Esse paradoxo reflete, em grande parte, dois desafios ainda centrais na prática clínica: o diagnóstico tardio da doença e a limitação atual na capacidade de prever sua evolução individual. Sabe-se que o prognóstico do glaucoma está diretamente relacionado à gravidade do dano no momento do diagnóstico, mas também à suscetibilidade intrínseca de cada paciente à progressão da neuropatia óptica.⁴ No entanto, nossa habilidade de estratificar risco de forma precisa — tanto para o desenvolvimento da doença quanto para sua progressão — permanece restrita, evidenciando a necessidade de ferramentas capazes de individualizar a estimativa de risco e de orientar estratégias mais personalizadas de rastreamento e tratamento.

Nesse contexto, os Polygenic Risk Scores (PRS) emergem como uma ferramenta promissora para estimar a suscetibilidade de um indivíduo a doenças complexas. O PRS consiste em uma medida quantitativa obtida a partir da soma ponderada de múltiplas variantes genéticas associadas a determinado fenótipo, identificadas por estudos de associação genômica ampla (genome-wide association studies, GWAS), permitindo estimar o risco genético agregado de um indivíduo para uma condição específica.⁵ Diferentemente de doenças monogênicas, enfermidades multifatoriais — como diabetes, doenças cardiovasculares e diversas condições neurodegenerativas — resultam da interação de inúmeros loci genéticos de pequeno efeito, o que torna os PRS particularmente úteis nesses cenários.⁵ Na medicina, essa abordagem tem sido progressivamente incorporada para aprimorar modelos preditivos, identificar indivíduos de alto risco e orientar estratégias personalizadas de prevenção e rastreamento.⁵ No glaucoma, os PRS têm sido estudados tanto como marcadores de risco para o desenvolvimento da doença quanto como potenciais preditores de gravidade e progressão em pacientes…

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Autor:

Fábio Bernardi DagaFábio Bernardi Daga
Oftalmologista com atuação em glaucoma, catarata e cirurgia refrativa. Especializou-se pela Unifesp e realizou fellowships em glaucoma na University of California, San Diego e na Duke University, nos Estados Unidos. É doutor em oftalmologia pela Unifesp e atua também na área acadêmica e de pesquisa.

Autores:

Tiago S. Prata
Departamento de Oftalmologia, Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (Unifesp/EPM).

Caroline K. Diniz
Departamento de Oftalmologia, Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (Unifesp/EPM).

Carolina P. B. Gracitelli
Departamento de Oftalmologia, Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (Unifesp/EPM).

Augusto Paranhos Jr.
Departamento de Oftalmologia, Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (Unifesp/EPM).