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Implantei uma LIO Tórica e o resultado não ficou bom. E agora?

Uma abordagem prática, baseada em evidência, para o cirurgião de catarata

Por que a LIO tórica se tornou indispensável

A correção do astigmatismo durante a cirurgia de catarata deixou de ser opcional e passou a ser parte central do planejamento refrativo moderno.

Nos últimos anos, um fator ganhou papel central: o astigmatismo da face posterior da córnea. Em especial quando o eixo posterior é oposto ao anterior, ignorar esse componente pode resultar em erro tanto na magnitude quanto no eixo da correção. A incorporação rotineira de tomografia (Scheimpflug, OCT de segmento anterior) e o uso de fórmulas modernas, como o Barrett Toric Calculator, aumentaram significativamente a previsibilidade ao considerarem o astigmatismo total da córnea.

Estudos demonstram que LIOs tóricas oferecem maior precisão e estabilidade refrativa do que incisões relaxantes ou astigmatismo queratotômico, sobretudo em astigmatismos moderados e altos. Entretanto, o sucesso depende de uma cadeia de fatores: biometria acurada, análise do astigmatismo posterior, marcação confiável do eixo, implante preciso e estabilidade rotacional.

Cada grau de rotação fora do eixo ideal reduz a eficácia da correção em cerca de 3,3%. Uma rotação de 10° pode praticamente anular o efeito da lente — ou pior, induzir astigmatismo iatrogênico.

Quando a LIO tórica não entrega o resultado esperado

O manejo começa com um princípio simples: não se corrige o que não se mede com precisão.

A refração deve ser realizada de forma criteriosa, idealmente a partir da segunda semana pós-operatória, quando a córnea já apresenta maior estabilidade. O exame deve incluir refração objetiva, seguida de refração subjetiva refinada com cilindro cruzado de Jackson, sempre correlacionada com topografia e biometria pré-operatória.

Essa abordagem permite distinguir três cenários principais:

  • rotação da LIO;
  • hipo ou hipercorreção;
  • aberrações ópticas não relacionadas ao eixo.

Em casos de sintomas desproporcionais à refração, a aberrometria (OPD-Scan, iTrace) pode revelar tilt, como ou perda de qualidade óptica decorrente do desalinhamento.

Como identificar e quantificar a rotação da LIO

A avaliação começa com dilatação pupilar para visualização adequada das marcas da lente.

As principais ferramentas incluem:

  • lâmpada de fenda com retroiluminação.
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Autoras:

Daniela FigueiróaDaniela Figueiróa
Médica oftalmologista, com atuação no H.Olhos Paulista e na Vision One. Formou-se pelo Instituto Suel Abujamra e realizou fellowship em catarata na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Rachel GomesRachel Gomes
Oftalmologista especialista em cirurgia de catarata e óptica cirúrgica. Doutorado em oftalmologia pela Unifesp. Pós-doutorado pela TUFTS New England Eye Center, Boston. Diretora de Catarata da ABCCR/BRASCRS e editora associada da revista Oftalmologia em Foco.